sábado, 22 de setembro de 2012

“Esperando contra humana esperança, ele firmou-se na fé” (Rm 4,18)


A fé nada mais é do que o ato de crer, de dar crédito a uma pessoa quando aderimos a ela ou a um conhecimento no sentido de assentirmos intelectualmente. É adesão pessoal, confiança, fidelidade, e isso, do ser humano para com Deus e de Deus para com o ser humano que permanece sempre fiel pois não pode negar a si mesmo. Este crer significa abraçar a fé em Jesus Cristo e aos conteúdos (verdades em que se crê). Esta é uma definição fácil de ser compreendida uma vez que pessoalmente todos a partir da própria realidade têm em si uma resposta para o que vem a ser de fato a fé.
         São incontáveis os exemplos de pessoas que viveram pela fé, que fizeram de suas verdades suporte seguro para as suas vidas lançando-se no horizonte do cotidiano sem medo de olharem para além dele. Mesmo diante de forças contrárias guardados na luz da fé foram em frente no caminho e se por ventura nada encontrassem ao fim não se sentiriam frustradas pelo fato de terem consigo a fé que não decepciona.
         Quando tudo neste mundo parece não oferecer solução e nossa esperança parece estar sendo dissipada somente à fé nos conduz: “Esperando contra humana esperança, ele firmou-se na fé”  afirma São Paulo na sua carta ressaltando a postura de Abraão diante da exigência de Deus que pediu o sacrifício do Filho Isaac e o apresentando como modelo de crente que sabe apesar de toda humana esperança confiar plenamente nos desígnios de Deus.
         Exemplo disso também foi a vida do Padre Victor que contra toda humana esperança centrou-se em Jesus Cristo. Na história de sua vida percebemos que em muitas circunstâncias tudo parecia não ter solução.
         Nasceu escravo, condição de pessoa “sem voz e vez na sociedade”. Mas, por bondade divina nunca conheceu a dor das algemas ou dos trabalhos forçados, pois teve como madrinha uma bondosa mulher, suposta proprietária que teve forte afeto para com ele. Não sendo escravo de lavoura foi destinado ao aprendizado de alfaiate onde pode aprender um ofício.
         Neste tempo lutou contra toda humana esperança quando sentiu o desejo de se consagrar a Deus como sacerdote. Seu mestre até duvidou desta intenção expressando que era algo tão impossível quanto nascer dentes em galinhas. Não sabemos se as galinhas do Mestre Inácio criaram dentes, entretanto o jovem escravo tornou sacerdote. Isto é, “firmou-se na fé”. Até mesmo antes de ir para o seminário teve o obstáculo do estudo e de ser aceito no seminário. “Esperando contra humana esperança, ele firmou-se na fé” e certo dia visitou Campanha Dom Viçoso que o motivou para tal propósito o aceitando para a formação presbiteral.
         Quando já era sacerdote atento a vida e necessidade de seu povo ousou criar contra “toda humana esperança” uma escola para a formação intelectual. Ação que lhe custou muitos sofrimentos para conseguir mantê-la.
         A suas mão foram vazias para si mesmo porque o que tinha jamais lhe pertenceu, pois tudo doava na mais perfeita caridade. Certa vez não tendo o que comer em sua casa, mas “contra toda humana esperança” por engano, ou melhor, por providência de Deus mandaram-lhe entregar um bom prato de comida.
         Cuidava dos doentes, celebrava os sacramentos e isso o fez até poucos dias antes de sua morte. Quando sua saúde não mais permitia andar, contra “toda humana esperança” ia de carro de bois para abençoar seus paroquianos que moravam nas fazendas.
         Diante do mal que atormenta e procura destruir o ser humano era chamado para rezar o exorcismo. Mal que não queria ser vencido nem ser expulso. Entretanto, “contra humana esperança” firmado na fé sua piedade e retidão logo libertava os lugares e pessoas da presença do diabo.
         Morreu aos 23 de setembro de 1905 e ficou insepulto por três dias devido a grande comoção e aglomeração do povo das cidades vizinhas para uma ultima despedida. Aquele que passou a vida toda firmado na fé, “contra toda humana esperança” exalava suave perfume.
         Hoje Padre Victor, agora Venerável Francisco de Paula Victor, continua a nos mostrar o valor da fé nos momentos de dificuldades e quando tudo parece ser impossível na “Graça de Deus” tudo é possibilitado. São inúmeros os relatos das pessoas que por meio da sua intercessão alcançaram mediante a fé as alegrias de Deus. Para relatá-los precisaríamos de muitas e muitas laudas.
         “Esperando contra humana esperança, ele firmou-se na fé”. Salve nosso anjo tutelar, homem que viveu pela fé, com fé e em fé.

Pe. Vânis Vieira da Cunha
Pároco da paróquia Nossa Senhora Aparecida
Três Pontas - MG





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