domingo, 10 de abril de 2011

5º Domingo da quaresma: Lázaro, vem para fora!

Irmãos e irmãs, neste 5º Domingo da Quaresma, o Evangelho (Jo 11, 1-45), apresenta-nos Jesus como o Messias, Filho de Deus que veio para libertar o ser humano do poder da morte e do pecado. A narrativa da ressurreição de Lázaro trata-se de um texto exclusivo de João, não havendo paralelo com os evangelhos sinóticos.

Betânia fica perto de Jerusalém, uns três quilômetros. É lá que se passa o episódio do Evangelho deste domingo. O versículo cinco deixa transparecer que Lázaro, Maria e Marta eram pessoas conhecidas e amadas por Jesus: “Ora, Jesus amava Marta, sua irmã Maria e Lázaro”. Não há referência sobre os pais deles. Segundo São Lucas (10, 38-42), Jesus estivera hospedado na casa de Marta e de Maria, tal informação, permite-nos imaginar que a visita de Jesus a eles era constante. De fato, é bom visitar os amigos, sentimos necessidade de ir ao encontro das pessoas que amamos. Eles, afinal, são amigos de Jesus, o amam e são amados por ele.

Certo dia acontece na vida daquela família um episódio, ou melhor, um triste episódio: Lázaro é atormentado por uma enfermidade. Uma terrível enfermidade. O amigo de Jesus encontra-se gravemente doente. Suas irmãs mostram-se preocupadas e mandam informar a Jesus. O Mestre não vai imediatamente, permaneceu ainda dois dias no lugar onde estava. Lázaro não resistiu à doença e morreu.

Após quatro dias, Jesus chegou a Betânia. Para o povo da Bíblia, o quarto dia após a morte significa a perda total de esperança. Marta prefigura a falta de esperança. Ela toma a iniciativa e vai ao encontro de Jesus e dialoga com Ele: “Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido”. Onde Jesus está presente reina a vida e a morte não prevalece.

O ambiente é profundamente de tristeza. Comovido com a morte do amigo, também o Mestre chorou. Ele, como nós, sente a dor diante da morte física de uma pessoa amada; porém, a sua dor não é desespero. Jesus mantém em todas as circunstâncias a serenidade e o controle da situação. Pede para que Marta acredite, mas não é fácil crer quando tudo parece perdido. Há quatro dias que o irmão faleceu e de acordo com a mentalidade judaica, a morte era considerada definitiva a partir do terceiro dia. Portanto, Lázaro está verdadeiramente morto. Jesus não elimina a morte física; mas, para quem é realmente seu amigo, a morte física não é mais do que um sono, do qual se acorda para descobrir a vida definitiva.

Para tranqüilizar Marta, Jesus garante-lhe: “teu irmão ressuscitará”. Ela não compreende a profundidade das palavras do Amigo. Quantas vezes nós também temos dificuldade em compreender Jesus? Ela pensa, talvez, que as palavras de Jesus referem-se à crença farisaica, segundo a qual os mortos haveriam de reviver, no final dos tempos, quando se registrasse a última intervenção de Deus na história humana. Jesus quer ensiná-la que, para quem é seu amigo não há morte. Ele oferece ao homem essa vida que se prolonga para sempre. Para que essa vida definitiva possa chegar torna-se necessário, no entanto, que o homem adere a Jesus, que o aceite como Caminho, Verdade e Vida. “Todo aquele que vive e acredita em mim, nunca morrerá”.

Maria, a outra irmã, tinha ficado em casa. Está imobilizada, paralisada pela dor sem esperança e sem força para reagir. Mediante aos problemas da vida é necessário ser firme e corajoso, para que a dor, a falta de esperança, o medo e o desânimo, não nos paralisam. Maria chora, e seu choro é acompanhado pelos judeus que com ela estavam.

Chegando ao túmulo, Jesus ordena que a pedra seja retirada. Marta recorda-lhe que não convém, não há mais esperança. Jesus a repreende: “Não te disse que, se creres, verás a glória de Deus?”. Santo Irineu afirmou que “A glória de Deus é o ser humano vivo; a vida do homem é a visão de Deus”. A glória de Deus se manifesta em Jesus Cristo que rompe a barreira da morte e oferece a toda pessoa humana a vida plena e definitiva.

A entrada da gruta onde Lázaro está sepultado está fechada com uma pedra, pois era costume entre os judeus, colocar uma pedra enorme na entrada do túmulo. Jesus, no entanto, manda tirar a pedra. Sua missão é dar a vida. Tendo o domínio da situação, dirige uma prece ao Pai, em seguida, gritou em alta voz: “Lázaro, vem para fora”. Aquele que jazia na sombra da morte saiu do sepulcro e agora é apresentado vivo e livre da morte.

O episódio da ressurreição de Lázaro é o sétimo sinal de Jesus no Evangelho de João. Os sinais são pedagógicos e têm a função de conduzir os discípulos e discípulas de Jesus a tomar partido em defesa da vida. Diante da certeza que a fé nos dá, somos chamados a viver a vida sem medo. Com Jesus não existe um ponto final.

Pe. Roberto Nogueira

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