domingo, 13 de março de 2011

1º Domingo da Quaresma


VENCER AS TENTAÇÕES: FAZER BEM AS ESCOLHAS

Por Pe. Roberto Nogueira


Irmãos e irmãs, a Palavra de Deus no inicio da nossa caminhada quaresmal, interpela-nos à conversão. Convidando-nos a recolocar Deus no centro da nossa existência, viver em comunhão com Ele, sendo fiéis aos seus projetos. Para tanto, exige mudança da nossa parte, e, em uma sociedade marcada pela superficialidade, temos dificuldade em acolher as propostas de Deus é aceita-las como direcionamento para a nossa caminhada.

Todos nós temos sede de vida e de felicidade. A primeira leitura (Gn 2, 7 – 9; 31-7), evidencia que Deus criou o homem para a felicidade e para a vida plena. Porém, quando o ser humano se fecha em si mesmo, inventando esquemas de egoísmo, de ódio, de vingança, de violência, de orgulho e de prepotência, afastando-se dos caminhos de Deus, optando por seguir seus próprios caminhos, colherá sofrimentos e morte como conseqüência das suas escolhas.

A imagem do homem e da mulher no paraíso, ajuda-nos a compreender as conseqüências das opções que fazemos na vida. Na perspectiva do autor sagrado, o homem foi criado para ser feliz e viver em comunhão com Deus. Para um povo que conhecia as ameaças do deserto árido, a descrição de um “jardim” repleto de árvores e de frutos, torna-se um lugar ideal como símbolo de felicidade plena. Homem e mulher têm tudo o que precisam para ser feliz. Eles podem escolher a “árvore da vida” e a “árvore do conhecimento do bem e do mal”. Deus nos oferece a possibilidade da vida plena e imortal. Basta-nos percorrer os caminhos do Senhor atentos aos seus mandamentos que são vida e verdade.

Ao lado da “árvore da vida”, encontra-se a “árvore do conhecimento do bem e do mal”. Ela pode representar, o orgulho e a auto-suficiência. O orgulho e a auto-suficiência levam o ser humano a não reconhecer a sua condição de criatura, movido pela ambição, pretende se tornar um ser igual a Deus. Pode-se afirmar que a auto-suficiência e o orgulho continuam sendo grandes pecados do mundo atual. Prescindindo-se de Deus, muitos acham que poderão encontrar a felicidade e enganam-se, pois não há felicidade sem Deus.

Ao experimentar o fruto da “árvore do conhecimento do bem e do mal”, o ser humano fechou-se em si próprio, ou seja, quis decidir por si só. Colocando-se no lugar de Deus, renunciou-se à vida plena e à comunhão com o Criador.

Fomos criados para ser felizes. Deus indicou-nos o caminho da imortalidade e da vida plena. Porém, em muitos momentos preferimos trilhar por caminhos do orgulho, do pecado, da auto-suficiência. Deus criou tudo de modo perfeito e harmonioso. Cabe-nos fazer bem as nossas escolhas. Segundo o autor, a origem do mal no mundo é fruto da vivência do homem à margem de Deus e das suas propostas.

Na segunda leitura, o Apóstolo Paulo, escrevendo aos Romanos (Rom 5,12-19), propõe-nos dois exemplos: Adão e Jesus Cristo. Adão na visão de Paulo representa o homem que escolheu ignorar as propostas de Deus, isto é, decidiu-se por si só. Desta forma, ele é símbolo do fechamento a Deus. Não soube escolher o caminho da vida. Sua opção gera egoísmo, causa sofrimento e como conseqüência; a morte, mas Deus, jamais abandona a humanidade. Ele nos ama e em Jesus Cristo nos é oferecido a salvação. Em um belo jogo de oposições entre Adão e Jesus, São Paulo enfatiza que Cristo propõe um outro caminho. Obediente ao Pai, Ele viveu profundamente a fidelidade sendo totalmente fiel aos seus projetos.

O caminho novo que Jesus propõe leva-nos à superação do egoísmo, do orgulho, da auto-suficiência. Quem escolhe seguir por tal caminho, torna-se plenamente livre. Vive a comunhão com Deus fonte de vida e de amor. Por outro lado, Adão é protótipo de uma humanidade que se fechou aos apelos de Deus. Sua escolha gera a morte. Optou-se pelos caminhos do egoísmo, do orgulho, da prepotência. Ora, sua auto-suficiência causou alienação, sofrimento e desarmonia. Sua desobediência gerou o pecado e o pecado gera a morte.

Jesus no Evangelho (Mt 4, 1-11) ao vencer as tentações diabólicas, ensina-nos a viver a fidelidade ao projeto do Pai. “Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto, a fim de ser tentado pelo demônio”. Ficando ali quarenta dias e quarenta noites. Nota-se que o número quarenta apresenta uma simbologia muito grande: Israel passou em caminhada durante quarenta anos. O deserto é também o lugar do encontro com Deus, da descoberta do rosto amoroso de Deus. Durante a longa caminhada pelo deserto, Deus jamais abandonou o seu povo, sempre veio em socorro de suas fraquezas. Mesmo mediante a infidelidade e da dureza do coração do povo, Deus se manteve fiel. Agora, em Jesus Cristo, Deus vem novamente ao encontro da humanidade, oferecendo-nos seu infinito amor, sua misericórdia e seu perdão. Com coragem, Jesus venceu e nós também podemos vencer as nossas tentações do dia-a-dia.

São Mateus quer nos ensinar que Jesus, como nós, foi tentado. Porém, Ele soube colocar a vontade de Deus em primeiro lugar. Jesus poderia ter escolhido o caminho mais fácil. Quantas vezes optamos pelo que é mais cômodo, desistimos e não resistimos às tentações? Nossa sociedade marcada pelas idéias capitalistas tenta nos vender de tudo, inclusive a felicidade. Para muitos, a fonte de salvação deixou de ser Deus, mas sim o homem e as suas conquistas. Percebe-se, porém, que cresce a cada instante o número de ser humano vazio de sentido para a vida, angustiado, infeliz, fragilizado, sem referências. A história está repleta de acontecimentos que confirmam que quando o ser humano tenta construir a sua vida à margem das propostas de Deus, sua opção o leva à ruína.

Quando o homem deixa de ouvir a Deus e passa a ouvir a voz do lucro fácil, torna-se capaz de cometer atos dos mais absurdos. Agride a natureza, explora os outros, torna-se injusto, pratica a violência... O diabo oferece a Jesus ostentações tão visadas pelo homem moderno: poder e glória. Rejeitando as soluções fáceis, Jesus nos inspira a escolher em primeiro lugar a vontade de Deus.

Primeiro Jesus é tentado a transformar as pedras em pães, mas vence a provação, demonstrando a necessidade essencial de alimentar-se da palavra de Deus. Depois o diabo o conduziu ao ponto mais alto do templo de Jerusalém; Jesus rejeita todo o desejo de prestígio e afirma que Deus não deve ser colocado à prova. Por fim, Jesus è levado a uma montanha muito alta, onde são oferecidos todos os reinos do mundo e a sua glória, mas Jesus vence a tentação de poder e do domínio sobre o mundo, afirmando que somente o Senhor deve ser adorado e servido. Resta ao diabo, opositor da obra de Deus Pai e do Filho, retira-se derrotado.

Que possamos a exemplo de Jesus vencer as tentações do nosso dia-a-dia: tentação de poder, do consumismo, da auto-suficiência, do orgulho, da falta de fé e esperança e, principalmente, do desanimo. Jesus nos mostra que não podemos desistir diante dos problemas da vida. Temos que ser persistentes e abraçar a nossa missão com amor e coragem. Assim como Jesus venceu, nós também venceremos, pois Ele é a nossa Luz. Basta-nos fazer bem as nossas escolhas.

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