sábado, 17 de julho de 2010

Rezar e trabalhar


Conta-se que no deserto de Tebaida vivia um velho monge que costumava dar sábios conselhos a todos que o buscassem com essa finalidade. Um dia, aos primeiros alvores da manhã, vindo de país longínquo, bateu á humilde casa de sua moradia, um frade moço e forte que lhe disse:

- Irmão, venho lhe pedir para que, em nome de Deus, me ensine a fugir das tentações.

O venerável monge olhou-o com tranqüilidade e falou com doçura:
- Outro pedido lhe farei. Ajude-me um pouco hoje e amanhã lhe ensinarei, pela graça de Deus, o que deseja. E assim ficou combinado.

Os primeiros raios de sol surgiam no infinito, quando os dois se entregaram ao trabalho de amainar a terra. O monge cantava e o frade o acompanhava. Quando o sol quente anunciava o meio do dia, ambos fizeram uma pausa. Tomaram uma refeição frugal e saborosa, para logo mais voltarem para a lida. Quando os últimos raios do sol se despediam, na linha do horizonte, os dois deixaram o eito e voltaram para casa. A mesa singela oferecia o repasto para o corpo e ambos jantaram juntos. Terminada a refeição, fizeram um pequeno passeio por entre o arvoredo, ouvindo a algazarra da passarada que buscava lugar seguro para o repouso entre a folhagem. Em seguida, se recolheram e oraram juntos. Estudaram as escrituras e deitaram-se, depois, para dormir.

Pela manhã, o monge perguntou ao seu hóspede:

- Meu irmão, você ainda quer saber como afastar as tentações?

- Não, respondeu o frade. Já aprendi o bastante, mestre.

E, beijando respeitosamente as mãos do monge, partiu. Tinha obtido o remédio para afastar todas as tentações: a oração e o trabalho.

Essas duas forças se constituem no antídoto eficaz contra as quedas do ser humano. Jesus Cristo, com Seu exemplo maior, dignificou o trabalho com o próprio exemplo. Seu ministério foi, sobretudo, de ação e movimento. Levantava-se com o dia e devotava-se ao bem dos semelhantes pela noite a dentro. Médico - não descansava no auxílio efetivo aos doentes. Professor - não se fatigava repetindo as lições. Juiz - exemplificava a imparcialidade e a tolerância. Benfeitor - espalhou, sem cessar, as bênçãos do amor infinito. Sábio - colocou a ciência do bem ao alcance de todos. Advogado - defendeu os interesses dos fracos e dos humildes. Trabalhador divino - serviu a todos, sem reclamação e sem recompensa. Serviu-se da oração para buscar a sintonia com o Pai, durante toda a sua vida. O exemplo do Cristo é sublime e contagiante. Tanto é assim, que os apóstolos abandonaram o comodismo para sair em campo e fazer o que o Mestre fizera: trabalhar e orar.

Portanto, trabalho e oração. Eis o remédio contra as tentações.

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