domingo, 25 de julho de 2010

O que é oração


A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

A oração, segundo São João Damasceno, é a elevação da alma a Deus ou o pedido a Deus dos bens convenientes. Deus chama incansavelmente toda pessoa ao encontro misterioso com Ele. A oração acompanha toda a história da salvação como um apelo recíproco entre Deus e o homem; assim vemos com Abraão, Jacó, Moisés, Davi, os profetas... A obra-prima da oração no Antigo Testamento são os Salmos: rezados e realizados em Cristo, são um elemento essencial e permanente da oração de sua Igreja, adequados aos homens de qualquer condição e tempo.

NA PLENITUDE DO TEMPO...

No Novo Testamento, o modelo perfeito da oração consiste na oração filial de Jesus: implica uma adesão amorosa à vontade do Pai até a Cruz e uma confiança absoluta de ser ouvida. Jesus ensina seus discípulos a orar com o coração purificado, com fé viva e perseverante, com audácia filial, apresentando seus pedidos a Deus em seu Nome.

NO TEMPO DA IGREJA

O Espírito Santo, que ensina a Igreja e lhe recorda tudo o que Jesus disse, a educa também para a vida de oração. Oramos a todo momento, por todos os motivos: "Por tudo dai graças" (1Ts 5,18). Oramos para bendizer, para suplicar, para interceder, para louvar e em ação de graças.

A TRADIÇÃO DA ORAÇÃO

São fontes da oração a Palavra de Deus, a liturgia, as virtudes da fé, a esperança e a caridade. É o Espírito Santo que ensina os filhos de Deus a orar. Em geral, dirigimos a oração ao Pai ou a Jesus, sobretudo invocando seu Santo Nome; também invocamos o Espírito Santo como Mestre interior da oração, pois "ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor a não ser no Espírito Santo" (1Cor 12,3). A Igreja também reza em comunhão com a Virgem Maria, em virtude de sua cooperação singular com a ação do Espírito Santo. Na oração a Igreja peregrina associa-se aos santos, cuja intercessão solicita. Os lugares mais favoráveis para a oração são o oratório pessoal ou da família, os mosteiros, os santuários e, sobretudo, a igreja, que é o lugar próprio da oração litúrgica para a comunidade paroquial e o lugar privilegiado da adoração eucarística.

AS EXPRESSÕES DA ORAÇÃO

A Igreja convida os fiéis a uma oração regular: orações diárias, liturgia das horas, Eucaristia dominical, festas do ano litúrgico... Pela oração vocal, associamos o corpo à oração interior do coração, assim como Jesus fez ao ensinar o "Pai-Nosso" a seus discípulos; pela meditação, o orante põe em ação o pensamento, a emoção, o desejo, para se apropriar do assunto meditado confrontando-o com a realidade de sua vida; pela oração mental, participamos do Mistério de Cristo, unindo-nos à sua oração, como expressão simples e silenciosa do mistério da oração.

O COMBATE DA ORAÇÃO

A oração supõe um esforço e uma luta contra nós mesmos e contra as armadilhas do Tentador, sendo inseparável do combate espiritual. Várias tentações se lançam contra os momentos de oração: a distração, a aridez, a experiência dos nossos fracassos, as concepções errôneas, a falta de fé, a acídia (semelhante ao desânimo), as diversas correntes da mentalidade... Mas o remédio está na fé, na conversão e na vigilância do coração. Devemos rezar sempre que possível, por ser uma necessidade vital. "Orai sem cessar" (1Ts 5,17): oração e vida cristã são inseparáveis!

A ORAÇÃO DO PAI-NOSSO

É o resumo de todo o Evangelho, a mais perfeita das orações. É, assim, a oração da Igreja por excelência, sendo parte integrante das grandes horas do Ofício Divino e dos sacramentos de iniciação cristã: batismo, confirmação e eucaristia.

"PAI NOSSO QUE ESTAIS NO CÉU"

Podemos invocar a Deus como Pai porque assim nos revelou seu Filho e já que, pelo batismo, passamos a ser filhos de Deus. A expressão "que estais nos céus" não designa um lugar, mas a majestade de Deus e sua presença no coração dos justos. O céu, a Casa do Pai, constitui a verdadeira pátria para onde nos dirigimos e à qual já pertencemos. Seguem-se os sete pedidos: três que glorificam o Pai e quatro que Lhe apresentam nossos pedidos:

"SANTIFICADO SEJA O VOSSO NOME"

Com este pedido, entramos no plano de Deus, a santificação de seu Nome (revelado a Moisés, depois em Jesus), por nós e em nós, bem como em toda nação e em cada ser humano.

"VENHA A NÓS O VOSSO REINO"

Com este pedido, a Igreja tem em vista, principalmente, a volta de Cristo e a vinda final do Reino de Deus, rezando também pelo crescimento do Reino de Deus no "hoje" de nossas vidas.

"SEJA FEITA A VOSSA VONTADE, ASSIM DA TERRA COMO NO CÉU"

Com este pedido, rezamos ao nosso Pai para que una nossa vontade à do seu Filho, a fim de realizar seu plano de salvação na vida do mundo.

"O PÃO NOSSO DE CADA DIA NOS DAI HOJE"

Ao dizermos "nos dai", exprimimos, em comunhão com nossos irmãos, nossa confiança filial em nosso Pai do céu. O "pão nosso" designa o alimento terrestre necessário à subsistência de todos nós e também o Pão da Vida: a Palavra de Deus e o Corpo de Cristo. É recebido no "hoje" de Deus, como alimento indispensável, superessencial do Banquete do Reino que a Eucaristia antecipa.

"PERDOAI AS NOSSAS OFENSAS, ASSIM COMO PERDOAMOS A QUEM NOS TEM OFENDIDO"

Este pedido implora a misericórdia de Deus para nossas ofensas, misericórdia que só pode penetrar em nosso coração se soubermos perdoar os nossos inimigos, a exemplo e com a ajuda de Cristo.

"E NÃO NOS DEIXEIS CAIR EM TENTAÇÃO"

Aqui, pedimos a Deus que não nos permita trilhar o caminho que conduz ao pecado. Este pedido implora o Espírito de discernimento e de fortaleza, e solicita a graça da vigilância e a perseverança final.

"MAS LIVRAI-NOS DO MAL"

Neste último pedido, solicitamos a Deus, junto com a Igreja, que manifeste a vitória já alcançada por Cristo sobre o "Príncipe deste Mundo", Satanás, o anjo que pessoalmente se opõe a Deus e ao seu plano de salvação.

"AMÉM"

Pelo amém, exprimimos nosso "faça-se" em relação aos sete pedidos anteriores: "que assim seja!"

sábado, 24 de julho de 2010

17º Domingo do Tempo Comum


“O impossível para Deus é deixar de te amar”

Durante a semana que passou especificamente na sexta-feira a Palavra nos levou a perceber que Deus é um grande semeador e a humanidade acolhe as suas sementes de diversas formas, alguns como corações de pedra, espinhos, beira de caminho e muitos como terra boa. De fato, ser terra boa é uma das propostas mais encantadoras para a vida de cristão, pois tudo que Deus planta neste terreno irá produzir em dobro no cotidiano.
Neste 17º Domingo do tempo comum mais uma vez a Palavra de Deus vem ao encontro de nossas vidas querendo encontrar terreno propicio para o seu desenvolvimento. Assim, somos chamados a ser terra boa para que a semente do Reino cresça e floresça no mundo por meio de nós, filhos e filhas amados de Deus. O coração que é terreno fértil sem duvida tem como fonte e vida a oração. Neste domingo a Liturgia da Palavra ilumina a nossa busca por Deus, a convivência com Ele na oração. A oração se faz de muitas maneiras e encontramos nas leituras a oração de súplica diante da qual Deus se mostra extremamente generoso, compassivo.
Abraão é alguém que no mais profundo de si sabe que Deus é amor. Por isso, intercede, reza e súplica pela vida de seu sobrinho Lot e sua família que vivia em Sodoma. A insistência de Abraão tem um objetivo: obter misericórdia de Deus que por sua vez aceita o seu pedido, pois ama sem limites. Colocar limites ao seu bem querer é impossível porque Ele é eternamente capaz de nos amar. Onde houver um coração que vive a justiça e um coração que suplica aí estará Deus sempre cheio de ternura, pronto para acolher e perdoar. A primeira leitura nos garante que Deus não nos trata conforme as nossas faltas. Se assim não fosse estaríamos perdidos devido às inúmeras faltas que cometemos no dia a dia. Quando pecamos nos distanciando do amor de Deus, muitas vezes sentimos arrependimento e dor. Porém, a dor sentida ao cair e fraquejar não são sinais de vingança por parte de Deus, mas sinais de que Ele está nos iluminando para nos transformar em sua misericórdia, isto é, para a conversão verdadeira.
O Evangelho também mostra a força da presença misericordiosa de Deus na vida de quem não se cansa pedir seu auxílio.
A atitude de Abraão e do homem do Evangelho é totalmente orante, ou seja, de oração. A oração é experiência que se faz com o Deus. Por isso, quem reza obtém os favores de Deus porque Ele sempre responde aos nossos pedidos. A oração é experiência com este amor que se doa gratuitamente, sem limites.
O cristão vivendo neste mundo lutando para transformá-lo com os pés firmes, com passos largos rumo ao Reino e ao mesmo tempo com as mãos estendidas em direção ao céu suplicando a misericórdia de Deus. A oração nos liberta dos medos e inseguranças, pois nos leva para os braços Daquele que é forte o suficiente para nos sustentar.
Quando estava preparando a reflexão para este domingo veio em minha mente um trecho de uma musica: “O impossível para Deus é deixar de te amar”. Mesmo sem a nossa oração Ele nos ama, imaginemos o que nos acontece quando rezamos sinceramente....não há palavras descrever. Enfim, isso é o céu na terra!

sábado, 17 de julho de 2010

Rezar e trabalhar


Conta-se que no deserto de Tebaida vivia um velho monge que costumava dar sábios conselhos a todos que o buscassem com essa finalidade. Um dia, aos primeiros alvores da manhã, vindo de país longínquo, bateu á humilde casa de sua moradia, um frade moço e forte que lhe disse:

- Irmão, venho lhe pedir para que, em nome de Deus, me ensine a fugir das tentações.

O venerável monge olhou-o com tranqüilidade e falou com doçura:
- Outro pedido lhe farei. Ajude-me um pouco hoje e amanhã lhe ensinarei, pela graça de Deus, o que deseja. E assim ficou combinado.

Os primeiros raios de sol surgiam no infinito, quando os dois se entregaram ao trabalho de amainar a terra. O monge cantava e o frade o acompanhava. Quando o sol quente anunciava o meio do dia, ambos fizeram uma pausa. Tomaram uma refeição frugal e saborosa, para logo mais voltarem para a lida. Quando os últimos raios do sol se despediam, na linha do horizonte, os dois deixaram o eito e voltaram para casa. A mesa singela oferecia o repasto para o corpo e ambos jantaram juntos. Terminada a refeição, fizeram um pequeno passeio por entre o arvoredo, ouvindo a algazarra da passarada que buscava lugar seguro para o repouso entre a folhagem. Em seguida, se recolheram e oraram juntos. Estudaram as escrituras e deitaram-se, depois, para dormir.

Pela manhã, o monge perguntou ao seu hóspede:

- Meu irmão, você ainda quer saber como afastar as tentações?

- Não, respondeu o frade. Já aprendi o bastante, mestre.

E, beijando respeitosamente as mãos do monge, partiu. Tinha obtido o remédio para afastar todas as tentações: a oração e o trabalho.

Essas duas forças se constituem no antídoto eficaz contra as quedas do ser humano. Jesus Cristo, com Seu exemplo maior, dignificou o trabalho com o próprio exemplo. Seu ministério foi, sobretudo, de ação e movimento. Levantava-se com o dia e devotava-se ao bem dos semelhantes pela noite a dentro. Médico - não descansava no auxílio efetivo aos doentes. Professor - não se fatigava repetindo as lições. Juiz - exemplificava a imparcialidade e a tolerância. Benfeitor - espalhou, sem cessar, as bênçãos do amor infinito. Sábio - colocou a ciência do bem ao alcance de todos. Advogado - defendeu os interesses dos fracos e dos humildes. Trabalhador divino - serviu a todos, sem reclamação e sem recompensa. Serviu-se da oração para buscar a sintonia com o Pai, durante toda a sua vida. O exemplo do Cristo é sublime e contagiante. Tanto é assim, que os apóstolos abandonaram o comodismo para sair em campo e fazer o que o Mestre fizera: trabalhar e orar.

Portanto, trabalho e oração. Eis o remédio contra as tentações.

16º Domingo do Tempo Comum


A Palavra de Deus oferecida a nós neste domingo traz uma temática de reflexão muito interessante para a vida dos discípulos de Jesus Cristo. A Liturgia da Palavra de maneira especial na 1ª Leitura e Evangelho falam da hospitalidade. Abraão que acolhe em sua casa os três viajantes (anjos) e Marta/ Maria que acolhem Jesus. A hospitalidade cristã significa acolhimento sincero em dois sentidos: primeiramente acolher as pessoas, principalmente as que estão longe de nossas vidas. Em segundo acolher a presença de Deus e de seus projetos em nossos corações. Desta forma, encontramos para o discipulado a exigência da caridade, disponibilidade para exercer a hospitalidade a Deus e aos irmãos.
O Evangelho destaca duas irmãs, amigas de Jesus, Marta e Maria. Ambas são entusiasmadas com a presença de Jesus e se comportam diferentemente diante desta presença. Marta, aquela que está sempre ocupada, cuida para que Jesus de fato seja bem acolhido preparando alimentos, enfim cuidando da casa. A sua maneira de expressar alegria e carinho para com Jesus é agitada e preocupada querendo agradar tanto se esquecendo de algo fundamental: ouvir a Palavra de Jesus. A outra irmã, Maria, parece num primeiro momento ser o oposto da irmã, alguém que não se importa com os afazeres. Entretanto, a atitude de Maria é uma atitude de escuta e atenção ao que Jesus fala. Por isso, ficou o tempo todo aos pés de Jesus recendo Dele um elogio por tal disponibilidade.
Encontramos assim, nestas duas irmãs exemplos para nossa vida cristã, a ação e oração. Estar aos pés de Jesus é rezar, conviver com a Palavra de Deus através da meditação e estar com as mãos ocupadas como Marta oferecendo nosso trabalho para a construção do Reino de Deus. Ambas são importantes: quem não reza, não trabalha bem. Quem não trabalha reza bem.
Marta e Maria sinalizam as nossas dificuldades para seguir Jesus Cristo. Pois, tantas vezes permanecemos mergulhados nas preocupações desmedidas do mundo, sem tempo para a oração e outras vezes apegados somente a práticas de oração esquecendo-nos do “arado”, do “fermento na massa”. Que bom aprendermos neste domingo a necessidade de cultivarmos um coração acolhedor que se coloca em disponibilidade na oração e no trabalho. Que a Palavra de Deus nos guarde para sermos sempre discípulos fieis de Jesus Cristo.